Data: 20/12/2021 Tags: Brasil | Violência | Psicologia | Relacionamento | Abusivo

Relacionamento abusivo: Resumo sobre o tema e os sinais para detecta-lo

Imagem da Internet (divulgação)

O assunto "relacionamento abusivo" tem cada vez mais ganhado notoriedade na mídia. E não significa que a violência contra mulheres cresceu, e sim que muitas tomaram coragem de expor o que acontece com elas. Isso ajudou a muitas mulheres a ganharem força e a buscarem ajuda.

Infelizmente, o abuso nem sempre é óbvio. Psicólogos afirmam que muitas mulheres permanecem no relacionamento abusivo por não enxergarem a natureza dele ou pior, por acharem que são culpadas do próprio abuso que sofrem.

O que é e quais as consequências de um relacionamento abusivo


Alguma vez você esteve em um relacionamento que se sentia o tempo inteiro "pisando em ovos"?

Que tinha que tomar cuidado com o que falava, se comportava ou vestia com medo de receber reprimendas do parceiro?

Pode não haver violência física, mas isso também é um relacionamento abusivo.

Inclusive, este é o tipo de abuso que mais se infiltra em você, tornando-o ainda mais enraizado e difícil de identificar. E, por consequência, mais difícil ainda de sair.

O nome disso é abuso psicológico. E ele tem consequências tão graves ou ainda piores que a violência física.

Quando há agressão física, amigos e familiares conseguem identificar. Já o abuso psicológico é mais difícil de perceber, tanto pelos entes queridos quanto pela vítima.

O abuso psicológico ocorre quando uma pessoa no relacionamento tenta controlar a outra, manipulando a percepção que ela tem sobre si mesma, distorcendo seu senso de realidade.

O abuso psicológico contém forte conteúdo emocionalmente manipulador e ameaças criadas para forçar a vítima a cumprir os desejos do agressor.

Todo relacionamento abusivo tem um forte impacto na autoestima. A pessoa abusada começa a se sentir impotente e possivelmente até sem esperança.

Além disso, a maioria dos abusadores psicológicos são capazes de convencer a vítima de que ela é culpada pela agressão que sofre, de que é responsável pelo que acontece.

E é por isso que é tão difícil uma mulher sair de um relacionamento abusivo. Quando se sente culpada, faz de tudo para tentar concertar o relacionamento.

Dizer para uma mulher que "ela pode sair se quiser" ou ainda "está nessa porque quer" apenas reforça a culpa, prendendo-a ainda mais no jogo doentio do manipulador.

Para conseguir ajudar uma mulher que passa por isso, em primeiro lugar deve-se acolhe-la, criar um espaço seguro para ela. Em segundo lugar mostrar que está sofrendo constante agressão e que ela é a vítima, e não a culpada.

E a terapia é muito importante também. Ela irá ajudar a mulher a recuperar sua autoestima, romper com as correntes psicológicas e emocionais do abusador e a lidar com o trauma e sofrimento a que esteve exposta por um longo período.

Sinais de alerta de um relacionamento abusivo


Abusadores são muito bons no que fazem e encontram até mesmo formas requintadas de causar sofrimento e manter o controle sobre suas vítimas sem serem percebidos.

Uma forma sofisticada de abuso psicológico é muitas vezes referida como "gaslighting".

O "gaslighting" acontece quando informações falsas são apresentadas com a intenção de fazer as vítimas duvidarem de sua própria memória, percepção e sanidade.

Os exemplos podem variar simplesmente do agressor negar que ocorreram incidentes abusivos anteriores para encenar eventos bizarros com a intenção de confundir a vítima.

Até mesmo um inocente "Eu te amo, mas..." pode ser um gatilho e uma forma sofisticada de abuso. Na grande maioria das vezes é uma crítica/agressão disfarçada de elogio.

Assim a vítima vai baixando a guarda pois não enxerga a má intenção por trás dessas palavras. Essa afirmação constante lentamente tira sua autoestima, o que é fundamental para manterem o controle e perpetuarem o abuso.

Outra forma sofisticada de controle que os abusadores fazem é algo como "dar migalhas" às vítimas. De repente eles dão presentes, propiciam bons momentos, como se isso apagasse todos os maus tratos que a pessoa sofreu. É preciso entender que isso faz parte da dinâmica e do ciclo de abuso. É uma das formas efetivas que eles encontram para prender ainda mais a vítima.

Principais sinais de alerta de um relacionamento abusivo


Como vimos, um relacionamento abusivo nem sempre é óbvio. Os abusadores são muito bons no que fazem e ótimos manipuladores. Por isso, é preciso estar atento aos sinais de alerta.

Fizemos uma lista de sinais comuns de relacionamento abusivo. Se você perceber que pelo menos 4 desses itens são uma constante em sua vida, procure ajuda.

Ressaltamos que é muito importante que a vítima procure ajuda em grupos de apoio especializados e a ajuda de um psicólogo para dar início à psicoterapia. Como vítima, seu senso de realidade pode estar muito afetado e a suas emoções confusas demais para conseguir sair sozinha.

Há muito trauma e manipulação forte envolvidos, ter o apoio de um psicólogo ou um orientador de um grupo de apoio é fundamental para que você consiga romper com o abusador e também para que possa reconstruir/retomar sua vida.

Lista dos sinais


  • Ele constantemente lhe humilha e embaraça?
  • Ele constantemente lhe coloca para baixo?
  • Ele vive lhe criticando?
  • Ele se recusa a conversar com você, principalmente quando há problemas no relacionamento (como ouvir que você está triste, por exemplo)?
  • Ele se faz de vítima quando você prova que ele está errado?
  • Ele já fez teste para saber se você é/foi fiel?
  • Ele ignora ou exclui você?
  • Às vezes te bloqueia temporariamente para te deixar instável?
  • Tem casos extraconjugais?
  • Ele costuma flertar, dar em cima de mulheres na sua frente?
  • Abusa do sarcasmo e de um tom de voz desagradável?
  • Parece que ele tem inveja irracional de você?
  • Diminui suas conquistas?
  • Apresenta mau-humor extremo, principalmente quando estão em casa e sozinhos?
  • Faz piadas ou constantemente tira sarro de você, como forma de bullying?
  • Diz muito "Eu te amo, mas..."?
  • Diz coisas como "Se você não fizer isso, eu irei fazer isso"?
  • Apresenta constante comportamento de dominação e controle?
  • Ele te controla, mas sempre disfarçando que é preocupação?
  • O afeto inicial do relacionamento diminuiu, ao ponto de quase não existir mais?
  • Culpa você por tudo? Atenção, isso vale tanto para as pequenas coisas quanto as grandes, por exemplo: "Eu deixei aquele copo sujo na pia, por que você sempre me distrai do que é importante?" ou "Eu te traí por que você não me dá atenção e não me satisfaz como homem, você é fraca"
  • Isola você de amigos e familiares? Atenção, isso nem sempre é facilmente perceptível. Ele começa criticando seus amigos e famílias, finge que gosta que saia com os amigos, mas quando chega em casa, ele está de mau-humor ou extremamente te critica.
  • Usa o dinheiro para controlar?
  • Faz ameaça econômica, como se você não fosse conseguir sobreviver sem o dinheiro dele?
  • Liga o tempo todo ou ainda manda constantes mensagens de texto quando você não está com ele?
  • Verifica o tempo todo se você está "online" ou "offline" nas redes sociais?
  • Cria brigas sem motivo, mesmo sabendo que o mesmo está sem razão?
  • Nunca assume o próprio erro ou assume de forma vitimista?
  • Ameaça cometer suicídio se você terminar?
  • Ele te desqualifica, tanto com relação à sua pessoa quanto com relação àqueles que você ama?
  • Ele fala no modo imperativo, sempre exercendo comando?
  • Ele te faz muitas cobranças, as vezes desnecessárias e descabidas?
  • Ele tem atitudes que te diminuem e a faz questionar sua capacidade?

Reiteramos que se a resposta for sim a, pelo menos, 4 itens dessa lista procure ajuda. Casos graves deverão ser denunciadas à "Delegacia da Mulher" com a elaboração de um "Boletim de Ocorrência". Também é muito importante o papel do psicólogo nesse momento. Ele irá ajudá-la a identificar o relacionamento abusivo e orientar como agir.

Lembre-se, a agressão psicológica é tão danosa se não pior que a física. E é muito comum que os abusos cresçam ao ponto de chegar a atos de violência, até mesmo que ameacem sua vida. E a de sua família.

E por fim, nunca se esqueça: Não é sua culpa. Os abusadores são especialistas em manipulação com um talento especial para fazer você acreditar que a violência que sofre e os maus-tratos são sua culpa.

Essas pessoas sabem que todo mundo tem inseguranças e usam essas inseguranças contra você. Isso é parte do jogo. Assim como a mosca não é culpada pela teia em que está presa você não é culpada pelos maus-tratos que sofreu.

Quando a vítima é o homem


Homens também podem ser vítimas de relacionamentos abusivos. Esta é uma realidade pouco mostrada na mídia e costuma passar longe das rodas de conversa, mas não deixa de ser menos preocupante.

Há muitos registros de casos de violência psicológica cometida por mulheres contra seus parceiros. Os sintomas e a lista dos sinais são os mesmos.

Assim como muitos homens não aceitam o fim de uma relação, muitas mulheres também têm dificuldade para se distanciar do ex-parceiro após o término. Por se sentirem traídas ou injustiçadas, elas agarram qualquer oportunidade de perturbar a vida do ex.

Podem seguir o ex-cônjuge fisicamente ou pelas redes sociais, invadir sua residência, inventar mentiras para chantageá-lo (como mentir sobre uma gravidez, dificuldade financeira, doença própria ou doença de filhos), mandar mensagens e fazer ligações inoportunas ou ameaçar o ex-companheiro por inúmeras razões.

Além disso, a ex-parceira pode passar a infernizar a vida da nova companheira se acreditar que as suas atitudes podem atingir o ex.

No caso de casais divorciados, brigas podem ser instigadas pela pensão alimentícia e guarda da criança. A mãe pode tentar difamar o ex-parceiro para tentar usar os filhos contra o pai e o restante da família paterna.

Essas atitudes mal-intencionadas podem ser denunciadas às autoridades para que as medidas legais cabíveis ao caso possam ser tomadas.

Por que os homens ficam em silêncio?


O silêncio das vítimas masculinas dos relacionamentos abusivos pode ser explicado por um conjunto de fatores. Muitos deles possuem associação com questões sociais e históricas, as quais se modificam lentamente à medida que os anos passam e a sociedade se transforma.

Dentre os motivos do silêncio masculino podemos citar que a cultura brasileira ainda é dominada pelo machismo. Costuma-se acreditar que o machismo é prejudicial somente para as mulheres, mas, nesse caso, os homens também sofrem com seus impactos negativos.

Grande parte da população masculina internaliza as mensagens tóxicas sobre virilidade transmitidas a eles pelas famílias, escola, mídia e outros agentes sociais durante a infância e adolescência. Precisam ser "machos", fortes e sagazes o tempo todo, mesmo que não tenham interesse em cultivar os ideais tradicionais de masculinidade.

Ensinamentos como "homem não chora", "homem não pode demonstrar fraqueza" e "homem não pode ser capacho de mulher" se alojam na mente dos homens, levando-os a moldar seus comportamentos com base neles.

Sofrer violência nos relacionamentos enfraquece a imagem de virilidade que tentam transmitir à sociedade. Sendo assim, muitos homens ficam em silêncio com medo da rejeição e ridicularização de amigos e familiares.

Outro fator é o medo de não ser levado a sério no momento da denúncia. No Brasil, casos de violência contra o homem ainda são tratados com descaso ou descrença quando o agressor é mulher.

As autoridades podem ridicularizar a vítima em vez de ajudá-la por acharem a ideia de uma mulher causar mal à um homem inconcebível. O grupo de amigos, parentes, colegas de trabalho ou pessoas conhecidas também podem não levar a situação a sério.

Consequentemente, a vítima não tem acesso aos recursos emocionais e legais necessários para sair do relacionamento. Ela pode começar a se questionar se a situação é mesmo tão grave assim ao encontrar a mesma reação diversas vezes.

O desejo de preservar a saúde mental e física dos filhos pode ser a principal razão para o homem ficar em silêncio. Como crianças e adolescentes costumam sofrer com a separação dos pais, ele pode achar que é melhor ficar com a parceira agressora.

Além disso, se a vítima estiver desempregado e depender exclusivamente da renda da companheira para sobreviver e cuidar dos filhos, ela vai pensar duas vezes antes de tomar uma decisão que cause o fim da relação.

É muito comum que vítimas de relacionamentos abusivos entrem em depressão ou desenvolvam ansiedade, síndrome do pânico ou outra condição de saúde mental devido às agressões sofridas diariamente.

A autoestima do homem é tão pisoteada que ele não consegue encontrar razões para confrontar pensamentos autodepreciativos e acreditar nas próprias desconfianças. Ele pode sentir vergonha de si mesmo por ser vítima de um relacionamento abusivo e pensar que merece ser tratado assim.

Quando a depressão se instala nas vítimas, elas possuem dificuldade para encontrar força e motivação para terminar o relacionamento ou, pelo menos, relatar o que está acontecendo a alguém de confiança.

O que fazer se o homem estiver em um relacionamento abusivo?


Se você é homem e está em um relacionamento abusivo, coloque o seu bem-estar físico e psicológico em primeiro lugar. As crenças mencionadas anteriormente estão equivocadas. Elas calam as vítimas, dificultando o seu encontro com a felicidade, saúde mental e relação afetiva saudável.

Ao colocar o seu bem-estar como prioridade número um, essas crenças deixam de ser tão importantes. Afinal, o que é "parecer fraco" ou "menos homem" em comparação à uma vida infeliz e opressora?

Busque apoio de pessoas de confiança para ajudá-lo a sair do relacionamento e se manter longe da ex-parceira. Você pode ter dúvidas sobre o término nos dias subsequentes, então é preciso se manter forte.

Se precisar da ajuda das autoridades ou se acreditar que seus filhos não estão seguros, não hesite em ligar para os serviços de emergência. Eles têm o dever de ajudá-lo independentemente de opiniões pessoais sobre você ou o caso.

Evite revidar as provocações da parceira abusiva porque é isso que ela quer. Se você perder o controle e retaliar, a situação pode ficar complicada para você. Assim, mantenha a calma. O silêncio que cai sobre as vítimas masculinas de relacionamentos abusivos somente será quebrado quando os homens começarem a ter atitudes para quebrá-lo, assim como aconteceu com as mulheres.

Resumo


Na teoria, as coisas muitas vezes parecem ser mais simples do que são na prática, especialmente quando tratamos de assuntos do coração, como relacionamentos. É por isso que, olhando de fora, parece evidente que a solução parar sair de uma relação abusiva seja terminar o compromisso. Entretanto, além de existirem relacionamentos abusivos de todos os tipos, e não apenas entre casais, colocar um ponto final na ligação está longe de ser assim tão simples. Na maioria das vezes, porque pode ser extremamente difícil identificar o que é abuso.

O problema do relacionamento abusivo quanto a sua resolução cabe para todos os gêneros de forma igualitária, homens e mulheres sofrem da mesma forma com a situação mas podem agir da mesma maneira para a solução. Seja qual for o seu caso, busque ajuda.
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